Golpe de Calor – Hipertermia

A forma mais severa do Golpe de calor, a hipertermia, pode ter diversas origens, e ao contrário do que se possa pensar, é a quarta causa de morte golpedecalor_caoentre atletas universitários dos EUA, tem também uma enorme incidência em peregrinos nomeadamente na peregrinação anual a Meca, com uma taxa de incidência que varia sazonalmente entre os 22 a 250 por cada 100 mil pessoas, já a incidência da exaustão varia entre os 450 e 1800 por cada 100 mil pessoas, mas só uma pequena parte evolui para hipertermia, estimando-se que a mortalidade possa nestes casos chegar aos 50%.

Mais dados do centro de controlo de doenças da Estado Unidos mencionam que entre 1979 e 1999, 400 pessoas por ano, em média, morreram devido a hipertermia.

Existem vários graus desta síndrome sendo a mais grave e perigosa a hipertermia.

As consequências da exposição ao calor do organismo humana são progressivas e podemos considerar a sua evolução classificada em 5 fases,

  • Edema induzido por calor que se manifesta pela acumulação de líquido nos membros inferiores;
  • Cãibras, induzidas pela prática de actividade física em condições de temperatura e humidades elevadas, causada pela perda do equílibrio electrolítico, deve ser interpretado como um sinal de alarme bem importante para uma fase subsequente, a Exaustão;
  • Síncope (Desmaio) , associada a prolongados períodos em pé ou a um levantamento repentino, é causada por uma queda da pressão arterial;
  • Exaustão, acontece em indivíduos não adaptados ao clima, por exemplo no início de uma onda de calor, ou por incapacidade de adequar o fluxo sanguíneo ao exercício, muitas vezes por insuficiência de plasma perdido por sudorese inicial em excesso, e por estagnação do sangue provocado por dilatação dos vasos sanguíneos periféricos. A temperatura corporal ultrapassa os 38,5 ºC mas não ultrapassa os 40º C;
  • Hipertermia, caracteriza-se por um aumento do temperatura corporal central acima dos 40º C;

Podemos falar de três formas de hipertermia, ou golpe de calor, a primeira conhecida por Hipertermia Clássica (HC), Hipertermia Induzida pelo Exercício (HIE) e Hipertrofia Maligna (HM).

Iniciando pela última a HM diremos apenas que é uma forma rara e normalmente decorre de complicações associadas a procedimentos anestésicos conjugados com características genéticas ainda mal conhecidas.

Depois temos a Hipertrofia Clássica, caracterizando-se por decorrer da exposição a situações de calor, afectando mais frequentemente crianças e pessoas idosas, e é causada por uma falha nos mecanismos de regulação da temperatura corporal, ou termo-regulação.

E a Hipertrofia induzida pelo exercício físico, que afecta indivíduos fisicamente activos, é provocada por um aumento excessivo da temperatura corporal provocado pela temperatura decorrente da actividade física e da temperatura ambiental e humidade muito elevadas.
O desenvolvimento deste quadro passa por uma fase aguda, que se evoluir, pode ter diversas complicações,  com início numa espécie de reacção inflamatória que começa por afectar o trato intestinal, podendo provocar posteriormente uma coagulação intravascular disseminada, insuficiência renal aguda e rabdomólise (destruição das fibras musculares), bem com alterações da actividade cardíaca, nomeadamente arritmias e  hipotensão, levando a sérias sequelas e não raras vezes à morte.

É muito importante para evitar as complicações graves da hipertermia que se actue em dois campos prevenção e tratamento:

Prevenção:

  • O conhecimento do risco potencial (condições de temperatura e humidade),  ausência de incidentes anteriores de golpe de calor, e doenças pulmonares como asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica.
  • Usar equipamento adequado, fazer uma boa aclimatação ao calor,
  • Fazer uma boa hidratação (Cuidados especiais, com vómitos e diarreia, e ingestão de álcool e cafeína)
  • Estado de condição física geral, (indivíduos obesos tem mais dificuldade em libertar calor, e indivíduos com valores mais baixos de Consumo máximo de oxigénio também)

Tratamento:

Para o tratamento é fundamental uma monitorização da temperatura corporal, rectal e esofágica, e para além de procedimentos de ressuscitação, e de monitorização do equilíbrio electrolítico,  o mais importante é o resfriamento externo, se possível usando ventiladores fortes depois de humedecer a pele, sendo isto preferível à aplicação directa de gelo, seja envolvendo todo o corpo seja pela aplicação no pescoço, axilas e virilhas.

Para além destes procedimentos são poucas as alternativas que a Medicina Ocidental tem para voltar a equilibra o organismo.

E é aqui que entra a Medicina Chinesa, para além do que os textos clássicos dizem, existem estudos experimentais em cobaias que demonstram a eficácia do uso quer da acupunctura quer da fitoterapia chinesa, para combater os efeitos da hipertermia.

Um estudo sobre fitoterapia foi publicado em 2005 na revista Clinical and Experimental Pharmacology and Physiology e testa os efeitos de uma fórmula chinesa clássica a Sheng Mai San com efeitos muito evidentes nas complicações da hipertermia associados a insuficiência renal induzida pela desregulação do metabolismo relacionado com o óxido nítrico.

O curioso é que esta fórmula cuja a tradução literal é “pó para gerar pulso” foi publicada a primeira vez em 1231, no tratado Diferenciação das lesões endógenas e exógenas, e cujo autor é o famoso médico chinês Li Gao 李杲 . (créditos ao Dr. Pedro Albuquerque, medsina.pt)

heat-strokeEsta fórmula, com apenas três constituintes, tem por objectivo gerar líquidos, através da acção conjugada do Ren Shen (Panax Giseng) com Mai Men Dong (Ophipogonis Japonicus) somando a  regulação da dispneia pela acção de Wu Wei Zi (Sizandra Sinensis).

Não deixa por isso de ser mais uma vez curioso que há mais de 800 anos se usasse um medicamento para os mesmo fins que este artigo agora comprovou.
A Medicina Chinesa não é fantástica?

 

 

Pode ver mais informação sobre os efeitos do calor aqui