A Medicina Tradicional Chinesa e a fase aguda de AVC

Uma das técnicas de emergência da Medicina Tradicional Chinesa (ou acupunctura), para situações que em Medicina Ocidental são classificadas como Acidente Vascular Cerebral (AVC), é o sangramento de pontos de acupunctura na extremidade dos dedos da mão e do pé.

Embora o tratamento de Medicina Tradicional Chinesa seja já bastante procurado para ajudar a resolver as sequelas resultantes de um AVC, (pode informar-se aqui), vários artigos tem actualmente comprovado aquilo que os especialistas em Medicina Tradicional Chinesa e Acupunctura

Um Artigo publicado recentemente é um excelente exemplo de como a interpretação está mais uma vez correcta, os cientistas submeteram 32 ratinhos a uma experiência, separaram-nos em 4 grupos de 8, em cada um desses grupos injectaram um produto contrastante, dos que se usam para fazer ressonâncias magnéticas.

Num par de grupos o produto foi injectado numa região do cérebro chamado Núcleo Caudado, e noutro o produto foi injectado num local designado por Tálamo.

Posteriormente um grupo com o contraste injectado em cada uma das regiões do cérebro referidas foi submetido a um tratamento que consiste em sangrar os já mencionados pontos de acupunctura enquanto os outros grupos não foram sujeitos a qualquer intervenção.

Ao observarem novamente os ratinhos submetendo-os a uma ressonância magnética os cientistas verificaram que o fluxo do líquido cefálico da região do tálamo tinha ficado menos espesso, enquanto nos outros três grupos não detectaram qualquer alteração.

Desta forma os cientistas concluíram que este pode ser um procedimento importante para ajudar a melhorar o funcionamento das células do cérebro durante um episódio de AVC. (pode consultar aqui o artigo completo)

A Medicina Tradicional Chinesa, é a medicina praticada há mais tempo consecutivamente na história da humanidade.

As suas origens são explicadas de diversas formas mas o mais importante é perceber que está é uma medicina cuja a matriz se fundamenta em teorias de interpretação da realidade, e que não se baseiam numa perspectiva positivista.

Aliás este ponto de vista positivista que domina hoje uma boa parte do conhecimento científico produzido, vem sendo contestado cada vez mais no ocidente, nomeadamente nas ciências sociais, e nos últimos tempos também no que diz respeito à investigação científica na área da medicina.

A medicina chinesa, apesar de baseada em pressupostos que não se fundamentam no modelo biomédico, tem mostrado resultados clínicos que surpreendem aqueles que acham que métodos antigos estão ultrapassados, e que é melhor não os usar, só porque não são compreensíveis à luz das teorias que explicam o funcionamento do corpo humano, com base no conhecimento actual da fisiologia, da histologia, ou da biologia molecular, mesmo que apresentem uma segurança elevadíssima, e uma eficácia invejável.

O que a ciência tem vindo a fazer a nosso ver de forma pouco inteligente é, por vezes negar os resultados obtidos, ou procurar uma explicação altamente rebuscada, normalmente baseada em indicadores de natureza micro-molecular, ou de funcionamento funcional do sistema nervoso.

A Medicina Tradicional Chinesa pode ser eficaz no tratamento de muitas patologias, deixar de as usar só pelo facto do estado actual da ciência não perceber os mecanismos explicativos para determinadas situações, parece-lhe uma atitude inteligente?